Brasileiro, natural de Patos (PB), o engenheiro Caio Gomes vive no Fundão, no interior de Portugal, e acompanha de perto o aperto no orçamento das famílias do país. Segundo ele, o aluguel virou a despesa que mais pesa, e o problema já não se limita a Lisboa ou ao Porto.
Nas cidades do interior, o aluguel de apartamento subiu mais de 100% nos últimos cinco anos, enquanto os combustíveis seguem em alta constante.
“Esse aumento do custo de vida é sentido em todo o país e não só nas grandes cidades”, observa.
Foi essa conta do dia a dia que levou gente às ruas. Segundo o engenheiro, as manifestações começaram de forma pacífica, com pessoas acampadas em parques de Lisboa, a maior cidade portuguesa. No último fim de semana, porém, agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) entraram em confronto com alguns manifestantes, e o episódio gerou atrito entre o líder do movimento e o ministro da Administração Interna.
Para Caio, a reivindicação tem fundamento, porque os aluguéis e o preço dos combustíveis pesam há anos no bolso de quem mora no país.
Entre os brasileiros, a preocupação tem outro nome
Desde que a Lei do Retorno foi promulgada, no fim de agosto, Caio percebe uma correria para regularizar a autorização de residência. Muitos procuram advogados especializados em imigração para descobrir qual artigo do visto se encaixa melhor no seu caso e para fazer o reagrupamento familiar, que permite regularizar a família com base no visto do titular.
O obstáculo seguinte é conseguir atendimento. A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) processa todas as autorizações de residência do país e, de acordo com Caio, muitas vezes não há agendamento disponível para os recém-chegados. A espera se arrasta por tanto tempo que muitos imigrantes recorrem à Justiça apenas para garantir uma data de atendimento.
Sobre Caio Gomes
Natural de Patos, no Sertão da Paraíba, tem 38 anos, formou-se em Engenharia Elétrica pela UFCG e atualmente trabalha na Capgemini e vive no Fundão desde outubro de 2021, a convite de uma empresa de serviços de engenharia para o setor automotivo europeu.
Cândido Nóbrega